A Coruja,  A Corujita

O meu parto

Hoje faz precisamente 10 anos que a minha vida mudou, e como se costuma dizer, passei a ter o meu coração fora do peito e constantemente nas mãos. Pelas 17h30, com 3, 320 kg. nasceu o meu mais que tudo!


Foi no dia anterior que dei entrada nas urgências com dores no fundo das costas. Não eram contrações, eram mesmo dores horríveis nas costas devido a uma fratura numa vértebra, algo que vim a descobrir mais tarde, depois do nascimento.


O que eu queria era algo para aliviar as dores, mas como sabemos a uma grávida dão só paracetamol e olhe lá! Como estava na recta final, 15 dias para completar as 40 semanas, colocaram-me no CTG e o médico espectacular, decidiu por segurança fazer uma ecografia.


Resultado: sempre que eu tinha uma contração, os batimentos cardíacos baixavam e a eco dava que eu tinha de alguma forma perdido algum líquido. O médico decidiu então, já que eu tinha passado as 37 semanas e uma vez que o bebé era grande e não havia razões para eu arriscar nada, ficar internada para avaliação.


Tremi na base, não estava preparada para ser assim. Não era este o meu plano.


Assim vesti-me, fiz os bem ditos clisteres e lá fui para a horrível cama que tinham para mim numa das salas de preparação para o parto.
Imaginem o cenário, gravidíssima, numa cama dura, cheia de dores de costas, sem medicação e com ordens para estar apenas deitada para um lado, pois tinham posto a ocitocina a correr e a cada contração os batimentos cardíacos iam abaixo, caso eu me virasse para o outro lado. Olhem a sorte!


O marido foi mandado embora, com garantia que nada ia acontecer naquela noite.


Estava sozinha, assustada, sem conseguir dormir. E com contrações a iniciar.


Quando comecei a sentir uma pressão nas partes baixas, chamei a enfermeira que desligou a ocitocina. Percebi que não fazia parte dos planos daquela equipa induzir-me o parto durante a noite. Palavras da enfermeira: vamos esperar pela equipa da manhã.


As horas passarem e o meu sofrimento com as dores pioravam. Até que de madrugada toda a parte de partos entrou em euforia. Havia mães a parir em todo o lado.


Como eu estava numa sala de preparação para o parto, de vez em quando aparecia uma futura mamã que acabava por ser transferida depois para outra sala.


Numa da vezes a transferência não foi possível e foi ali ao meu lado com uma pequena cortina a separar que ela deu à luz o seu bebé, sem epidural sem nada. A pobre não teve tempo de levar a epidural pois já tinha 8 dedos de dilatação.


Imaginam eu, mãe de primeira viagem, a ouvir ao vivo um parto sem epidural, desde as contrações até ao momento da expulsão, até ao momento do ponto cruz? Estão a imaginar? Eu também estava, mas a imaginar que a seguir era eu.


Pelas 11h da manhã lá veio a equipa que me ia acompanhar e a primeira coisa que a médica fez foi colocar um comprimido nos baixios para induzir o parto. Avisou o meu marido que demoraria e ele podia ir à sua vida.
Ele foi saindo e voltando! Eu ia rindo com as palhaçadas dele. Até ali a coisa corria bem! 13h da tarde, a médica volta, a indução não resultou, toca de colocar novo comprimido. Mais espera, mais cansaço, mais palhaçadas do marido. 14h a médica vem observar-me e nada de evolução.


Vamos rebentar as águas! Ouvi a médica gritar! Merda! Não devia ser coisa boa! E não foi. Doeu-me para carago, foi horrível a médica colocar as mãos cá dentro e ainda aproveitou para colocar duas sondas na cabeça do bebé. Essas duas sondas estavam ligadas a equipamentos mesmo na sala dos médicos.


Depois de rebentarem as águas, as contrações começaram à séria. Já não tinha vontade de rir. Perto das 16h, a médica volta para me dizer que ia para cesariana. Fiquei assustada! Meia hora depois vem um manda chuva da equipa que diz que não, que ia para parto normal.


Se eu estava assustada, fiquei em pânico e para ajudar as dores estava cada vez piores. Estava preocupada, pois estava tão cansada, como é que eu iria ter forças para o parto.


É quando sem aviso, uma equipa começa a desligar-me todos os fios e a dizer que ia de cesariana de urgência. O marido foi encostado à parede, nem tive tempo de me despedir dele. Nunca mais o vi. Só tinha médicos e enfermeiros à minha volta.


Levaram-me para uma sala fria (sala de partos), onde me deitaram numa maca de braços abertos. Preparam-me, deram-me a epidural e apresentaram-me o meu enfermeiro e a enfermeira que ficaria responsável pelo bebé assim que nascesse.


Ouvi uma voz por trás de mim, que disse que iria sentir uma pressão na barriga e depois o bebé nasceria. Demorou pouco tempo e num momento mágico vi o meu bebé pendurado nas mãos da médica.


A enfermeira trouxe-me o príncipe para lhe dar um beijinho e depois o levar para pesar, dar banho, fazer os exames necessários e vestir.
Eu fiquei maravilhada de braços abertos, enquanto os médicos acabavam as costuras devidas. Naquele momento um amor incondicional envolveu-me e tudo mudou.


Saí para o corredor onde me deram o meu piolho, lindo e arranjadinho. Colocaram-no na mama e ele não se viu atrapalhado. Foi uma pega muito natural, em stress. Tive de ficar ali 2 horas até poder ser mandada para o meu quarto.


Foram 2 horas só minhas, a namorar o meu novo amor. Estava cansada, mas não me cansava dele.


Depois das 2 horas, finalmente levaram-me para o quarto, onde passei pela sala de espera e onde estava a minha mãe e o meu marido.


Subi para o quarto eram 21 horas, o marido subiu também, e ficámos ali a namorar aquele ser que nos pertencia, que era todo nosso.


Assim nasceu, a luz da minha vida e a razão da minha vida. Neste dia transformei-me numa outra pessoa. Era mãe e iria ser para o resto da minha vida! Tinha ganho o papel mais importante!

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