A Coruja

Amamentar não é obrigação!

Anda para aí a correr que a Jessica Athayde comunicou que não ia amamentar a sua criança. E todo um mundo de fundamentalista se lançou ao ataque com críticas.

Mas vamos lá ver! De quem é que são as mamas? De quem é o filho?

Fui mãe há 9 anos atrás e na altura sempre achei que não ia gostar de amamentar, mas uma vez que era benéfico para o bebé, planeei amamentar até aos 6 meses. Sempre achei que a amamentação tinha de ser algo natural e não forçado.

Mas a criança nasceu e qual não é o meu espanto que ele pegou à primeira e eu senti-me à vontade.

As únicas peripécias que tive foi quando o leite subiu que a enfermeira queria obrigatoriamente ordenhar-me para não criar caroço. Aquilo doía para cacete!

Farta das dores, do mau jeito e da brutalidade disse à enfermeira que não queria que apertasse mais as mamas, já bastava senti-las a arder de tanto calor que dali vinha.

Resmungou, mas eu não quis saber. No dia seguinte tive alta e dali saí directa para a farmácia para comprar uma bomba.

Durante 1 mês amamentei normalmente! Não criei gretas, pois usei desde o início uma pomadinha e muito rapidamente comecei a produzir apenas o leite das mamadas.

Mas depois do parto fiquei com dores de costas horríveis derivado ao peso da gravidez e ao facto de um ano atrás ter feito uma fractura numa vértebra.

As dores era tão horríveis que mal podia ter o bebé no colo. Então iniciei um tratamento de injecções dia sim, dia não com medicação pesada.

Nos dias que levava injecção tirava o leite com a bomba e deitava fora, o piolho bebia fórmula e deliciava-se e eu agonizava entre bomba e dores. Nos outros dias dava peito e agonizava também com dores.

Durante 15 dias lutei ao máximo para manter a amamentação, era mais o leite que ia fora do que aquele que ele bebia. Eu andava cansada não só por ser uma mamã recente, como de toda aquela rotina e também das dores.

Até que finalmente desisti! O bebé andava mais bem alimentado com a fórmula. Por não mamar todos os dias, a produção diminuiu e a maior parte das vezes depois da mamada tinha de dar reforço, pois ele chorava com fome. E aquilo não estava a ser saudável para mim.

Sem culpas sequei o leite… foi fácil, bastou ir diminuindo a bomba e depressa secou.

O piolho cresceu saudável e eu ganhei alguma tranquilidade.

Cada mãe deverá fazer aquilo que lhe der vontade em seu benefício e do bebé. Uma mãe stressada e nervosa com as mamadas porque tem dores horríveis ou porque não se sente à vontade em amamentar transmite toda essa energia para o bebé. Tornam-se bebés mais nervosos!

Sim, a amamentação é saudável e o melhor alimento para o bebé. Mas uma mãe presente, tranquila é também uma mais valia para a criança.

Já é tão difícil ser mãe, porque é que temos de complicar ainda mais. Somos nós mesmas que temos de saber o que é melhor para nós e os nossos bebés e não carregar culpas.

Não há mães perfeitas! Não é o sofrimento que nos vai tornar perfeitas! É o amor, o carinho, saber que vamos cometer muitos erros no caminho, mas vamos fazer o nosso melhor e dar o nosso melhor a ele e a nós.

Não temos de criticar a opção de cada um, temos que entender que fazem escolhas diferentes das nossas e respeitar.

A Jessica Athayde ao menos foi sincera e não quis saber do que a sociedade impõe aos outros. Cada um sabe de si e das suas mamas, certo?

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